terça-feira, 7 de julho de 2009

Caminhando...

Caminhando...

Sobre aquele chão branco,
sobre aquela solidão,
sobre aquela névoa tão clara
e tão obscura ao mesmo tempo...
sobre um rio tão traiçoeiro
e tão agradável,
tão agreste
tão violento
tão sem graça...

Mas tão tentador,
e desafiador
muito desafiador...

Caminhando eu
e mais ela,
que segue tão segura,
tão singela
tão bela
também obscura,
certamente!
Mas ela não mente
e ouve-me brilhantemente
com aquela chama ardente
e muito quente.
Assim num repente!

E continuo caminhando eu...

Por aquele vale,
aquela planície
tão verdejante,
tão encantador.
É mágico!!!
Muito lindo, muito, demais
quero mais
ir mais além
e sempre contigo.
Claro...

Não páro,
e sigo...
como?
Caminhando...

Caminhando eu firmemente
como quem sente
que algo aí vem
que vai acontecer
e me vai levar
ao sonho, à sensação,
à elevação, à mudança
à esperança!

O Rei morreu, mas não morreu,
saiu de cá e cá voltará.
A marca ficou,
uns hão-de a seguir,
caminhando sobre os destroços
que deixou,
mas também sobre a estrada bela
que construiu!

Somos todos música,
e todos ouvimo-la
e dançamo-la
a caminhar sobre as notas musicais,
que tocamos,
que lembramos,
que belo!

Pois... e caminhando
passo decidido
e seguro

E seguro mesmo!

Seguro de mim, e de ti,
e de todos vocês,
que caminham também.
Acreditem...
mesmo que não saibam disso,
vocês caminham comigo
e eu convosco.
Seguimos todos pela mesma estrada,
pelo mesmo passeio,
e vamos todos para o mesmo destino.

Com tino ou sem tino...

Mas vamos lá chegar!

E a caminhada continua,
e ela ainda ao meu lado,
tão segura de si, que ternura...
Terna e eterna,
como eu quero,
a vida!

Caminhando eu
sem parar
e sem deixar de amar
quem eu sou

(não não, não sou narcisista...)

O cigarro eu fumo,
olho para o fumo,
que os meus pulmões invadiu,
com o fumo sai a minha personalidade
que cá está e nunca há de sair
e ela lá vai
naquele fumo que lentamente se dissipa...

E sempre caminhando...

Eu sei o que quero,
eu quero simplesmente querer.

A vontade faz os grandes,
O talento faz os únicos,
O amor faz os melhores,
A paz faz a humanidade
A sabedoria faz o ser humano.

O ser humano faz a vida!

Caminhando para onde devemos ir,
rumo a esse tal destino...
Será que existe?
Talvez, sei lá!

Nem quero saber!!!

Só quero saber que sei,
só quero saber que procuro
o saber,
que me completará.

E ela tão bela sorri,
orgulhosa de si.

E acompanha-me...

Não me vou cansar

E continuo por aquele caminho

Caminhando...


(Ricardo Lopes, 2009)

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